Subveяtendo
  Tem Cabimento

Cabe um mundo todo na favela

Cabe num barraco todo o amor de meu bem

Cabem cinco ou seis camburões na ruela

Cabem infindáveis pandemônios também



Escrito por v.mikulin às 19h21
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  Vejam que interessante esta pesquisa:

"O jornal "Perfil" divulgou uma pesquisa muito interessante sobre o que sentem os argentinos em relação a seu país. O trabalho foi realizado pela agência de publicidade J. Walter Thompson, que entrevistou mil pessoas através da rede social Facebook. Quando foram perguntados sobre o que sentem por seu país, 39% dos entrevistados responderam vergonha, 38% tristeza e 31% medo.

A mesma pesquisa mostrou que 25% dos argentinos têm esperanças de que a situação do país possa mudar. A agência também perguntou sobre os países que os argentinos admiram e gostariam de imitar. A resposta surpreendeu, já que os Estados Unidos ficaram em primeiro lugar, com 17%, e o Brasil, eterno rival da Argentina, ficou em segundo, com 11%.

A pesquisa também buscou saber quais são os principais orgulhos dos argentinos: 58% apontaram a igualdade de gênero (no ano passado o Congresso nacional aprovocou o casamento entre pessoas do mesmo sexo), 55% o desenvolvimento cultural e 51% a liberdade de expressão." (sic)

Fonte: http://tinyurl.com/3b4uytb




Aposto que se a mesma pesquisa fosse feita aqui, a maioria dos participantes diria que sente "orgulho". Pergunto-lhes: orgulho de quê?! De ser um povo hipócrita por natureza, que só pensa no próprio umbigo, que quer mais que o outro se exploda? Orgulho de um povo composto por gente que tem a audácia de deixá-lo meia hora plantado (quando se é sortudo...) numa fila de banco onde, de 10 guichês, só 1 funciona? Seria orgulho de pessoas que te fazem de OTÁRIO quando você liga para algum SAC da vida, batendo o telefone na sua cara após longa demora, sem que seu problema tenha sido resolvido? Da podridão política secular que nada mais é que reflexo de nossa milenar leniência social? Ou então, orgulho de gente que abandona recém-nascidos e animais para que morram à míngua? Orgulho do cidadão "de bem" que cobra providências das autoridades públicas a todo momento, mas que é incapaz de demonstrar um pingo de civilidade jogando seu lixo numa lixeira, ou de demonstrar conhecimento quanto as mais comezinhas regras de conduta no trânsito, como ligar uma seta ao virar, ou aguardar a travessia do pedestre sobre a faixa, por exemplo? Orgulho de nosso "patriotismo quadrienal" em época de Copa? Sentir-se orgulhoso dessas e de várias outras coisas? NUNCA! Não passa um dia sequer sem que eu sinta uma profunda vergonha de ter as palavras "nacionalidade: brasileiro" impressas nalgum documento... Pior que isso é saber que poderíamos ter sido um grande país, se não fosse por todo esse (aparentemente intransponível) atraso impregnado até a medula do organismo social - por si só, fator impeditivo de qualquer progresso. Saibam vocês que tenho uma teoria sobre quem se diz "orgulhoso" de viver na "terra em que se plantando, tudo dá". Imagino que sejam pessoas que sentem algum tipo de prazer escatológico-masoquista, nutrido com certa constância por tudo aquilo que causaria repulsa em qualquer indivíduo possuidor de faculdades mentais remotamente íntegras. E, como toda teoria, pode ser que tenha me equivocado. Pelo bem da pátria, espero sinceramente estar errado.



Escrito por v.mikulin às 20h54
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  Os Dois Lados da Superfície

Sento-me sobre a pequena mureta que dá para um espelho d'água turvo, quase sem vida, não fosse um peixe ou outro mais ousado que, fazendo as vezes de acróbata, deixa seu mundo pelo instante de um salto, o que agita a antes tão plácida superfície. Acima de mim diviso parcas estrelas, cujo lume esmaecido encontra-se à mercê do véu de neblina que confere um tom fúmeo à noite. São como faróis a violar o breu noturno num pulsar ritmado, desejosos de que seu tímido facho atinja certos olhares, fazendo, assim, com que sejam notados. O arroubo sentido só é interrompido pelo gélido soprar cortante que parece atravessar a pele quase indo dar nos ossos, o que me faz tilintar de frio. Nisso, começo a engendrar considerações que vão muito além das sensações físicas. As percepções todas convergem para um só pensamento: a existência serve de nítida fronteira entre dois espaços em que reina o mais absoluto vazio, espaços estes que parecem se complementar, sendo um interno e, o outro, externo. Ambos mantêm perfeita simbiose um com o outro. Mais que isso, o existir de um garante o de seu irmão gêmeo. Imagino que seja justamente aí a morada do assombro causado pela grande obra: o vazio da alma pode ser tão extenso quanto a desolada vastidão do universo. Em noites como esta, ponho-me de joelhos em franca penitência perante a grandiosidade da criação, ainda que assolado pelo espanto de ver a imagem refletida da essência do "ser" contida em todos nós, enquanto viventes.



Escrito por v.mikulin às 20h17
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  Metalinguagem

Ninguém melhor que o escritor para compreender o quão corrosivas podem ser as horas. Ariscas, sempre fugidias, nunca desviantes do firme intento de levar consigo um nobre pensamento, a rara forma que só nos é revelada a duras penas, ao se desnudar a matéria bruta, removendo tudo o que é demasiado mundano, até que nada, além do lirismo, reste. E, embora o escrever vacilante aparente ter-nos levado aonde pretendíamos chegar, sem que, contudo, soubéssemos o destino de antemão, a solitária jornada nunca finda. Sempre fica um adeus por acenar, um beijar que não aconteceu graças a forças que ousaram contrariar qualquer razão identificável, uma palavra não dita que, do contrário, poderia ter tido o místico poder de fazer sumir duas vidas ao originar uma nova. Arrependimento? Não há. Só se extrai o sal da terra ao revolvê-la, tornando-a fértil e apta a prover quem nela, de sol a sol, labuta. Com lucidez, digo-lhes que o escritor é, antes de tudo, um agricultor de ideias. Que não o censurem quando o virem agindo feito agrômano, ao vagar, errante, acompanhado unicamente por sua própria companhia por alguma campina desolada. Somente assim lhe é dado voltar o olhar para dentro de suas profundezas, como se nada mais houvesse em derredor de si mesmo. Lembrem-se de que todo aquele que habitua-se a permanecer no raso é privado da percepção de que, para lá da arrebentação, existe todo um oceano a ser esquadrinhado, com o destemor típico que só os espíritos audazes possuem.



Escrito por v.mikulin às 23h19
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  Última, agora é sério!

 

Quando ia jogar o lixo, quase dei de cara com a vizinha da frente e acabei me lembrando disso - ela vestia uma camisa dourada, dessas que brilham no escuro. É sobre os verdadeiros significados das cores que as pessoas usam no Réveillon. Segue a bobeira:

Verde - o que dizem: remete à natureza; o que realmente significa: lembra mato, e mato, por sua vez, lembra erva, ou seja, é a escolha nº1 dos maconheiros e dos vegans.

Rosa - o que dizem: quem usa, busca romance; o que realmente significa: só quem usa são pessoas - em regra, mulheres - que ainda alimentam ilusões pueris afetadas (ainda sonham com "príncipe encantado" e outros contos da Carochinha). Se quem estiver usando for homem, na certa é viado. 

Vermelho - o que dizem: representa o amor; o que realmente significa: é a cor padrão dos encalhados. Quem está desesperado para dar uma bimbada no ano que se inicia, não hesita em colocar uma peça desse tom.

Roxo - o que dizem: é uma cor que denota mistério; o que realmente significa: é a cor de quem é, ao mesmo tempo, romântico e encalhado (se for mulher). Se for 'homem', é daqueles que jogam tanta água fora da bacia que mais parecem que vão levantar voo, dado o número acentuado de trejeitos.

Azul - o que dizem: transmite tranquilidade; o que realmente significa: se vir alguém usando, pode apostar que o camarada se estressou o ano inteiro e acha que, só por usar uma roupa dessa cor, deixará de berrar com formiga no ano que está para começar.

Preto - o que dizem: por ser "fechada", transmite certa austeridade; o que realmente significa: quem usa preto, em pleno Réveillon, é tido por louco, por destoar da regra. Eu digo que é um sujeito realista (por já estar de luto antes da desgraça do novo ano começar) e, portanto, merece ser respeitado. É o mais sensato de todos.

Cinza/prateado - o que dizem: é a cor da incerteza, ou do glamour; o que realmente significa: é a cor de quem se contenta com pouco. O cara pensa assim: "Se não vier ouro, que venha a prata, que já estará de bom tamanho".

Laranja - o que dizem: é a cor da "alegria"; o que realmente significa: se não for guarda de trânsito, pode jogar o cidadão no manicômio que ele é maluco.

Branco (não confundam com alvinegro) - o que dizem: é a cor da paz; o que realmente significa: além de denotar total falta de criatividade e/ou imaginação, é a cor de quem segue o fluxo passivamente, assim como um boi na fila pro matadouro. Se se tratar de uma pessoa que more em área conflagrada (leia-se favela e afins), essa cor é usada pois ela já não aguenta mais o barulho das balas de fuzil furando a parede de alvenaria de seu 'cafofo'.

E, por último...

Amarelo/dourado (meu preferido) - o que dizem: quem usa, quer atrair dinheiro, fortuna, riqueza, etc; o que realmente significa: a pessoa amargou numa pindaíba desgraçada boa parte do ano e, agora, está valendo até simpatia para tirar o nome do Serasa, do SPC e afins. Espero que esse não seja o caso da vizinha ali da frente...

 



Escrito por v.mikulin às 21h53
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  Curtinhas

Bom, não poderia deixar meus dois únicos - e fanáticos - leitores ao relento na blogosfera, sem uma derradeira postagem no ano que se encerra. Prometo-lhes que será um post sucinto e, portanto, menos prolixo que o habitual. (risos) Primeiramente, gostaria de deixar claro que não prometo que no próximo ano dedicarei uma energia considerável ao blog, sob a forma de novas postagens a cada mês, pelo simples fato de que nunca fiz isso. E, não o fiz por uma boa razão: trata-se de um pequeno espaço de ideias, despretensioso ao extremo. Esta sempre foi a tônica, desde os primórdios, e tem dado certo até aqui. Ou não. Quem liga, não é mesmo?! Como dizia Deng Xiaoping, "não importa se o gato é branco ou preto, contanto que pegue o rato". Sem mais delongas e filosofias burlescas, vamos às curtinhas:


  • Ansiedade: como abrandá-la? Esta será minha mais nova realidade daqui até meados do ano que vem. Sabe quando você deseja algo por tanto tempo que, quando está prestes a conseguir, começa a imaginar um bilhão de maneiras distintas de tudo aquilo - que você sequer viu se concretizar - ir para o espaço? Então, vendo a coisa por um viés micro, é quase assim que me sinto. Não cavucarei muito a questão, pois é cedo para cantar vitória. 

  • Aprendi uma lição valiosa este ano: nunca, em hipótese alguma, vá de encontro ao que sua consciência lhe disser. Minto, já era de meu conhecimento. A diferença é que, dessa vez, achei que isso poderia comportar exceções. Ledo engano, não comporta. O caso é que, por sermos animais sociais, tendemos a nos ajustar ao meio, mesmo que para isso tenhamos que abdicar de parte de nossas convicções. Mutatis mutandis, é o que Lênin chamava de "dar um passo para trás para avançar dois". Repito: não se deixem levar, por mais forte que seja a correnteza!

  • E o Vasco, hein? E o Brasil, dotô, tem jeito? Eremildo, do alto de sua idiotice, diria que sim. Já eu, que teimo em permanecer no time dos realistas, diria que nada é tão ruim que não possa soçobrar de vez. Segundo as estatísticas, crescemos demográfica (pra variar...) e economicamente. Acho que só esqueceram de avisar o meu bolso. Tudo bem, em 2011 tem Dilma e uma incerteza do tamanho do Corcovado. Continuo achando que seria mais jogo se ela, ao menos, tivesse feito um estágio de síndica, ou coisa que o valha. Administrar um país, especialmente um com a diversidade de problemas que tem nossa pátria-mãe gentil, não me parece ser tarefa das mais fáceis. Enfim, não espero ver a canoa ir a pique, já que me encontro nela e não seria nada agradável.

  • E aí, estão animados com o último ano (inteiro) do resto de nossas vidas? Pois é, 2012 bate à porta... Sabe, falando sério, não espero que o mundo acabe - e, por ser essa uma possível "saída honrosa" para uma experiência que jamais deu certo, não acho que acabará. É mais provável que algum idiota aperte o botão errado enquanto recebe um boquete que o deixe, digamos, aéreo temporariamente. Esqueça meteoros, alienígenas, inversão magnética dos pólos e outros rebus dissociados da ação humana. Pois bem, fica combinado assim: nós arranjaremos nosso próprio problema insolúvel. Se bem que a propalada mudança universal das consciências viria bem a calhar... Nem que isso se dê durante a transmissão de um BBB da vida.


  • E as relações interpessoais, minhas e nossas, continuarão a se deteriorar a olhos vistos em face dos "avanços" tecnológicos que pipocam a todo instante? Acreditem-me, chegaremos ao cúmulo de abolir a língua falada para que possamos dedicar mais tempo conectados a nossos apetrechos que "virtualizam" a vida, tornando-a ainda mais vazia - leia-se, desprovida de qualquer sentido discernível. Vivemos o primado da rapidez. Tudo tem que ser tão rápido que, não raro, nos esquecemos de fazer o básico: pensar. Alguns chamariam isso de "ditadura dos 140 caracteres". Eu, inspirado pelos antigos gregos, chamo carinhosamente de tragicomédia. É cômico limitarmo-nos a esse estado de coisas, quando deveria ser o exato oposto. É trágico, por outro lado. Buscamos extrapolar os limites de nossa vizinhança cósmica ao mesmo tempo que nos fechamos, cada vez mais, em nós mesmos. O "bom" e velho escapismo humano (nos) ataca novamente...


No mais, tomando como minhas as sábias palavras de um professor dos tempos de faculdade, tem sido um prazer inenarrável tecer estas linhas ao longo deste e dos outros anos - mesmo que poucos mortais ousem lê-las.
 
Que todos tenham boas entradas e um 2011 supimpa!


Escrito por v.mikulin às 17h35
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  Andança

Pleno sábado. A cidade, um imenso sepulcro. É a conclusão a que chego, após arrastar meus alquebrados ossos por alguns milhares de metros. Apesar de terem sido longas e extenuantes cinco horas de exame, rejeito o merecido descanso em prol de uma visão autêntica da noite que se principia. Sem véus, sem máscaras. Apenas a justa medida da realidade fétida das ruas de uma cidade que luta para manter o encanto aceso, embora em meio a um lamaçal de mazelas. Andarilho, sigo marchando até o Largo do Machado para receber a prenda que lá me espera, sob a forma de uma simples esfiha. A fome fisiológica agora se une àquela que cobra novos vislumbres. Não há apenas ácido borbulhando nas entranhas; há também curiosidade pela vida pulsante, ainda que, por vezes, esta se apresente dum jeito desavergonhado. A certa altura, dou de cara com um par de homens travestidos de mulher. Um deles se aproxima e pergunta se tenho fogo. Nego, encabulado, e ele me esmola um sorriso amarelo em agradecimento por ter lhe sido inútil. Dizem algo inaudível. Penetro em espaços amplos, sem qualquer vida aparente. Crianças ao redor de um balanço de praça são um agradável lembrete de que ainda estou numa cidade habitada por pessoas - excluindo-se o "casal" de travestis. "Há um risco constante nesse desatino besta", penso. O ignoro, assumindo-o. "Salvo prova em contrário, só se vive uma vez; além disso, se esta for a minha hora, nada do que eu faça ou deixe de fazer mudará o desfecho desta aventura inconsequente". Determinismo. Ando, ando mais um pouco, volto a pôr os pés em movimento... Nunca chego onde pretendia chegar. Aliás, sequer sei se há, de fato, um objetivo definido, para início de conversa. Procuro o obelisco, mas não o encontro. Árvores o mantiveram oculto até que eu estivesse a apenas alguns metros dele. Finalmente, embico numa Rio Branco apocalíptica. Mendigos, garçons assistindo ao futebol na tevê, um pivete ou outro, uma pequena fileira de táxis ociosos à míngua de clientela, mais mendigos... O quadro vai pintando-se por si mesmo. De repente, observo a distância um rebuliço na escadaria do Municipal. Parece que algo está prestes a começar. Uma opereta, talvez? Pouco importa. Uma convenção de esnobes é o último dos meus interesses no momento. Hoje, nada atiça mais a minha curiosidade que não a crueza das ruas. Ao entrar na Almirante Barroso, penso ter visto um vulto do meu passado passar por mim. Um só ser, em dois tempos distintos, separados por algum abismo, desses em que não se produz eco algum, de tão separadas que se encontram as duas beiradas uma da outra. Menino que só, penso em ir até Santa Teresa de bonde e estourar de vez a minha cota de riscos desnecessários corridos numa só noite. Como sempre, renova-se o amor não correspondido... No hay bonde. Passando ao largo da Catedral de São Sebastião, mentalizo um novo alvo: a Lapa. Mas, o que haveria de bom por lá? Outro vazio inexplorado, decerto. Uma fêmea passa por mim reavivando meus sentidos, já meio aturdidos pelo cansaço físico e sua prima-irmã, a estafa mental. Penso em segui-la para ver onde irá dar. Ajo unicamente por estímulo. Lembro-lhes de que, sem vontade, a malícia não pode grassar. Hesito e desisto, nesta ordem. Sinto-me um Moisés caminhando sobre o solo marinho. Avenida República do Chile, meu Mar Morto. Nesta noite, todo milagre é possível. Bem, quase todo. Nada fará uma cidade vibrante se descortinar ante meus ardidos olhos. Foi-se o tempo em que o entorno da Lapa fazia as vezes de sucursal do inferno na Terra. Hoje, não há nada em torno da ilha. Apenas detrito, sobradinhos decadentes e poças de urina humana. Já impaciente, ao antever o ocaso da minha breve epopeia noturna, aperto ainda mais o passo. Corto pela Lavradio e entro na Mem de Sá. Bares começando a encher, música alta, um certo frisson impregnando o ar. Prenúncio de prazer carnal em vias de ser democratizado, após os pudores terem sido afogados num drink, ou numa latinha de alumínio. Outro dia, talvez. Quem sabe. Cheguei ao limite da resistência física. Meto-me no primeiro coletivo e despeço-me do palco e de seus atores. "Houve espetáculo", é certo, sem que paire uma só dúvida. Ao girar a chave na fechadura de casa, digo um derradeiro adeus aos riscos que permaneceram lá fora, à espreita. Já a salvo, digo-lhes, sem receio de errar: oportunidades nunca deixarão de existir, tanto para mim quanto para eles.   



Escrito por v.mikulin às 01h54
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  Horas Mortas

Nas trevas da solitude espreita o desejo,

ser notívago a vagar por vielas tortuosas,

fogo fátuo que exsurge, incontido, sobejo,

da lápide onde jazem mil libidos tormentosas


Olhos curiosos perscrutam a névoa noturna

Vacilam e cerram-se ao sentir o sopro aziago

do frio ventar da inquietude mais soturna

Sedenta de vida tal qual conde hematófago


Se, quando mãos afoitas tencionaram, em vão, alcançar teu cálice

Ao hesitar, o maná extasiante lhas foi negado

Fez-se da folia, pecado, perante o óbice


À parte todo o enfado, se outras veredas houvesse pagaria o preço

Ante recalcitrantes recusas, diante de ti, reafirmo:

a boca que difama é a mesma que consente o beijo!



Escrito por v.mikulin às 10h45
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  Domingos Pertencem aos Amantes (e ai de você se não for um deles...)

Não sei se já cheguei a comentar aqui, neste humílimo espaço de ideias, sobre a grande cisma que erigi em torno do domingo. Se, de fato, o fiz, devo ter dito que trata-se de um dia em que o ócio assume uma dimensão toda nova, realçada pelos faustões, gugus e afins que emergem das profundezas mais obscuras do aparelho televisor para nos assombrar, seja com seu humor de gosto duvidoso, seja com sua verborragia interminável. Pois me parece que, ainda que trancafiados a sete chaves em nossos lares, ninguém está a salvo. Por força da lógica, só nos restaria uma única alternativa - salvo a de desligar a tevê, obviamente: aventurar-se nalgum canto fora de casa. Pois bem. Agora com o ânimo revigorado, você reúne a disposição restante e, num ato pouco ponderado, lança-se à rua, mas apenas para descobrir que, ao contrário do que prometem as propagandas, "seus problemas mal acabaram de começar". Repentinamente, você se vê cercado por figuras bicéfalas, dos mais variados formatos e (des)proporções, a que gentilmente chamam de "casais". E, realmente, é interessante notar que o volume de carícias feitas e (ou) recebidas é diretamente proporcional ao número de pessoas num dado recinto, segurando, cada qual, a sua respectiva "vela". Transtorno que segue... Sempre há um determinado momento em que o despudor (eufemismo para "tesão") encontra uma pausa, após a qual as tais figuras "duais", ainda não satisfeitas por terem proporcionado uma contida mostra de exibicionismo ao público presente - como quem busca a auto-afirmação do relacionamento a partir do constrangimento alheio, diga-se de passagem - , passam a encarar os solitários, fulminando-os com um simples olhar de "reprovação". Explico: conforme é universalmente sabido, ser ou estar solteiro configura um estado patológico gravíssimo que inspira cuidados - e, segundo há pouco me disseram, pode até ser contagioso, ou mesmo, levar à morte. Uma completa temeridade, sem sombra de dúvidas... Finalmente - e, por que não dizer, felizmente - você chega a seu destino, com uma certeza martelando nas ideias: domingos, definitivamente, poderiam muito bem não existir. Ou, de outro modo menos radical, assim como sempre foi para a galera do "racha" no campinho de terra batida, a família unida que tem por hábito desossar o bom e velho frango - e tragá-lo com a areia da praia fazendo as vezes de farofa - e o povo pacato e animado dos estádios, talvez o domingo pudesse ser um pouquinho mais "democrático", quem sabe. "Abaixo o totalitarismo dominical!", brado mentalmente. E tenho dito.



Escrito por v.mikulin às 23h08
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  Dissenso IV

Absorto em si mesmo, mantinha o olhar perdido no infinito. Nada mundano o faria distrair-se. Estava determinado. Agora, mais que antes. Cônscio de que, quando se fita a própria alma por algum tempo, o pavor antes instalado dá lugar a uma misteriosa onda de euforia, fazendo tremelicar até a última célula. Assim que ela chegou, não trocaram palavra. Um silêncio minaz reivindicou o recinto para si, só sendo quebrado quando, de súbito, uma voz masculina, meio rouca, quase inaudível, atravessou o ambiente, não sem que antes seu dono pigarreasse com violência: "O que você ainda faz aqui? Achei que já tivesse se mandado..." - disse, assim mesmo, num tom tão coloquial quanto áspero. "Vim pegar as coisas que ficaram faltando como combinamos, mas é claro que você não estava 'presente' quando disse que retornaria. Aliás, nunca esteve. Há algum problema nisso?" Quando parecia que aquelas palavras cairiam no vazio, ele dispara um automático "problema algum". Não houve nada que lembrasse um diálogo após isso. Apenas se ouvia um resmungar esporádico aqui, um murmúrio feito à surdina mais no canto. Todas essas pequenas manifestações de revolta que adornam amiúde relacionamentos trôpegos, o que muito bem se adequa ao daquelas duas almas fatigadas pelo fardo da rotina. De fato, eram dois infelizes, cada qual refletindo o descontentamento do outro, tal como dois espelhos trincados. Ninguém que os tenha conhecido, não faz muitos verões, poderia vaticinar, com segurança, que toda a ventura de um amor cálido se veria solapada, pouco a pouco, pela maré da convivência diária, que oculta tépidas correntezas, sob a forma de uma multiplicidade de imperativos da vida moderna, até que, por fim, reste nada além da mais frígida indiferença. Realmente, os poucos amigos que sobraram, caso os vissem agora, se deparariam com espectros de semblantes tristonhos, saudosos do sopro de vida que, noutras eras, os animou. Intermináveis minutos se passaram. Enquanto ele permanecia prostrado no sofá da ampla sala, mãos sem um corpo aparente colocaram duas malas no fim do corredor. Logo depois, o corpo apareceu por inteiro, quedando-se inerte sob o arco que dá na sala, encarando fixamente aquele que ainda não havia se dado conta de sua presença. De soslaio, ele a notou. Finalmente, seus olhares se cruzaram e algo espantoso aconteceu, algo que jamais ocorrera entre aqueles dois - ao menos, até aquele preciso momento. Acreditem ou não, mas foi como se se estabelecesse algum tipo de conexão mental entre eles, de sorte que cada qual se pusesse a lembrar de um episódio marcante ocorrido nalgum momento da curta existência conjugal que, naquele ponto, encontrava-se estertorante. Amealhando coragem quase sobre-humana, ele esboçou um tímido sorriso, como quem se põe a rir-se de si, soltando palavras contidas há horas, novamente em falsete: "Sabe, contar os poros da tua pele era a minha distração predileta..." Seguiu-se renovado silêncio, mas, desta feita, sinais se fizeram notar. Nela se viam as pupilas dilatadas, tornando seus olhos, já descomunais, ainda mais expressivos, cujo brilho denunciava um êxtase evidente. Talvez estivesse a se lembrar das inúmeras vezes em que aquela barba hirsuta sempiternamente por fazer roçou sua delicada nuca, produzindo ondas de calafrios que percorriam seu corpo em toda sua extensão. Estatelado no sofá furta-cor com seus pensamentos, só se deu conta de que ela havia partido quando ouviu a porta bater e um ruído de chaves caindo no chão duro do hall social. Pensou ser aquele um bom sinal. "Se ainda não ocorrera a catástase da trama, será que ela voltaria?"



Escrito por v.mikulin às 19h48
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  Ursos

Já repararam em como o verdadeiro inferno proporcionado pelo Sol a pino de todos os dias tem alterado nossas rotinas? É incrível como o clima causticante consegue alterar - para pior, obviamente - tarefas que, antes de o verão resolver bater ponto ao longo da quase totalidade do ano, eram desempenhadas sem maiores atropelos. Vejam o simples ato de ir até a padaria da esquina para comprar um pãozinho, por exemplo. Em eras mais amenas, isto poderia ser feito a qualquer hora do dia. Hoje, não mais. Há toda uma estratégia que deve ser meticulosamente planejada e seguida à risca: observar a menor distância até o "alvo", identificar qual é a melhor hora para se evitar a maior incidência dos raios - alguns deles, letais - da "Lua" incandescente lá fora, verificar em qual lado da rua há mais sombra, entre outras ponderações. E nossos hábitos? Estes ficam cada vez mais afetados, ainda mais hoje, quando tanto se é dito à respeito de aquecimento global, inversão térmica e outras "bestas" climáticas que, imaginárias ou não, acabam por influir no cotidiano. Notem que até mesmo as relações sociais sofrem uma sacudileda! Não raro, nos vemos forçados a adiar aquele encontro, evento, ou, seja lá o que for, até alguma hora em que o microondas cerebral ligado sobre nossas cabeças dê uma esfriadazinha, permitindo que saiamos de nossas respectivas tocas. Sim, pois, ursos é o que somos, ainda que às avessas! "Hibernamos" de novembro a abril em nossos refúgios permanentemente refrigerados e (ou) ventilados (lembrando que a cia. elétrica agradece), acumulamos uma farta quantidade de suprimentos, de modo a ter que deixar o "paraíso gelado" o menos possível, esperando, com uma paciência de Jó, até que o período mais brando nos brinde com seus curtos cinco ou seis meses de duração, com apenas um de frio serrano... Verdade é que nem todos podem se dar a este luxo. Inexoravelmente condenados estão o engravatado da valise a tiracolo; o motorista de coletivo, ao lado de seu indefectível motor a 50ºC à sombra; o gari vestido de mexerica, e por aí vai. Contudo, há quem ainda se sinta um peixe dentro d'água - da pouca que ainda não evaporou! Turistas e suas faces que, de um branco lácteo, rapidamente transmudam para um tom vermelho-camarão; esculturas em formato de mulher, assando alegremente ao sol do meio-dia, entre outros seres vulcânicos que, por isso mesmo, parecem ser imunes ao calor. Seja como for, ninguém questiona a imagem que se tem do Rio de "cidade solar" por natureza e vocação. E, mesmo que o astro-rei nos derreta a todos, ainda haverá alguém que encontrará tempo para aplaudir enquanto se liquefaz.



Escrito por v.mikulin às 19h51
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  Ei-la

Então, aí está você. Alheia a tudo e a todos, vive a ilusão de sonhos baratos, afoita por satisfazer os impulsos mais primitivos que alguém nas mesmas circunstâncias buscaria satisfação. Carnaval agora não passa de ecos lúgubres indecifráveis da riqueza de ânimo que, embora noutras eras fosse abundante, evaporou, deixando como única lembrança as cinzas da quarta-feira – essas e você são um só amontoado disforme, mas isto não importa no presente. Houve um momento de plenitude, quando o lampejo que denomina “felicidade” a tornou mais viva que todas as outras criaturas ainda respirantes, fazendo com que uma estranha e descomunal carga de culpa fosse sustentada por seus estreitos e desajeitados ombros. Você, uma pragmática inveterada, pensa “mas que importa tudo se estou viva? Se o desafio de viver permanece, outras prendas cairão do céu, cedo ou tarde”. Nenhuma preocupação parece violar sua zona de conforto, sempre tão hermética e impermeável às intempéries. Mas, de algo, ainda sentes falta. Aquele comichão, que começa nos pés e vai subindo pelas pernas, até se deter na espinha e aninhar-se em sua nuca, ainda a assalta em noites quentes intranqüilas, e a familiaridade desse acontecimento a deixa em polvorosa, indefesa sobre o que pensar, ou mesmo sobre o que fazer. Petrificada, qualquer racionalidade perece diante de pensamentos que parecem vir de fora, das mais profundas fossas em que toda a perversidade encontra guarida, açoitadas pelas chamas eternas da lascívia, que, agora, reclamam seu corpo para si. Só lhe resta se entregar à descarga de sensações indizíveis e arrebatadoras que percorrem a totalidade de sua anatomia, ciente de que todo fulgor aparente, em verdade, mascara o mais leviano desespero.        

 



Escrito por v.mikulin às 13h31
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  Partida sem Chegada

Custou, mas a velha corda que atava nossos quereres, cedeu - desde muito gasta, puída pelo irrefreável corroer do tempo - permitindo que caiamos por terra. É a impiedosa gravidade do ocaso, que, como se agindo por lei própria, nos privasse de todo e qualquer equilíbrio que se almeje manter, ao desafiar o sossego que pende, debilmente, sobre o precipício logo abaixo. Deparo-me com o mesmo pesar de outras épocas - tão claustrofobicamente familiar, mofado, pálido, insone... Sou levado a buscar respostas na soturna amplidão da noite, no que sou interrompido, de imediato, por uma baforada de ar quente, carregada de aflições mil. "Só vieram juntar-se às minhas" - penso, atado à angústia. Não há catarse à vista; tampouco, viva alma. Nada. Exceto, talvez, saudosismo daquilo que me foi negado vivenciar, na companhia de alguém que, como agora percebo, não fez jus à uma pontinha sequer da consideração por mim reunida, em meio ao turbilhão de atritos que tem sido o que chamo, carinhosa e eufemisticamente, de "convivência pulverizada". A fé no ideal maior jamais me faltou. Nem mesmo a coragem de defendê-lo - sobriamente, diga-se - perante todas as críticas, arremessadas como pedras por uma criança cuja peraltice sempre a impediu de enxergar o óbvio, impelida unicamente por um incontrolável instinto destrutivo. Admito que esperar demais, crer demais, desejar demais se transmudaram em minha ruína. Espero que, após me ver consumido pelas chamas da decepção, na pira funerária que eu mesmo ajudei a construir, ainda restem cinzas para se juntar. Não raro, sempre fica uma brasinha ou outra, aqui ou acolá, capaz de reanimar o incêndio.



Escrito por v.mikulin às 13h59
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  Linhas Trêmulas

Mais uma segunda-feira vem e me despedaça, concluindo o trabalho iniciado no dia anterior. Sempre acreditei que baques, sejam de que natureza forem, não deveriam acontecer aos domingos. Nunca se tem uma margem de recuperação suficiente até que a segunda chegue e aniquile por completo qualquer esperança, por mais vã que seja, de iniciar a semana num estado de ânimo ao menos tolerável. E mais este céu plúmbeo, que só faz complementar o que já não se encontrava exatamente bem, me serve de lembrete constante de que sempre há mais um degrau inferior para se descer. Me é claro como o dia que todo e qualquer desassossego pode assumir a dimensão que desejarmos que assuma. O lado ruim disto é que tendemos a confundi-lo com o próprio conceito que é feito sobre a infinitude. Se nossa existência é inequivocamente finita, que vantagem haveria em se prolongar certo sofrimento, indefinidamente? Especulo que talvez tenhamos todos algum tipo de índole masoquista inata, que cisma em nos espreitar bem de perto, até que o momento propício surja e permita que ela aflore e nos arrebate, de imediato, sem que haja qualquer chance de resistência. Mas, se este é o lado ruim, então, qual seria o lado bom? Ora, nem sempre nos é possível percebê-lo, de plano. Teste de resistência cósmico, visando ao engrandecimento pessoal. Acúmulo de experiência, talvez. Não sei, tudo me é tão incerto... Diante do agora, minha única e mais angustiante certeza é que paga-se um preço altíssimo se tratamos com desmazelo quem mais desejamos, sob pena de vermos o que antes era uma ilha ensolarada se transmudar em estepe congelada, sem um único sopro da vida vibrante que outrora tivera.



Escrito por v.mikulin às 16h10
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  Efemérides

E se, num belo dia, você acordasse e descobrisse que, até aquele momento, tudo o que fez, todas as suas grandiosas e inúteis realizações, tudo aquilo que apetece o comum dos homens se resumiu a servir de platéia diante da vitória alheia?

E se, contorcendo-se em risadas, o tolo contido em si mesmo se desse conta do quão ridículo foi acreditar piamente que qualquer rabo de saia em que tropeçou, com um pouco mais de empenho que o habitual, pudesse realmente vir a ser aquele que salvaria sua própria alma da ardente danação eterna, tal como se alguma espécie de messias fosse?

E se, após contar nos dedos de uma única mão o número de vezes em que suas cruas e pútridas palavras não tiveram o condão de perpassar a frágil e inocente epiderme do outro, você, ao cair em si, perante tamanha carnificina sem sentido, realizasse que nem todo o arrependimento tardio já havido no mundo seria capaz de fechar o infindável oceano de máculas abertas e, recorrente e deliberadamente, reabertas pelo mais pueril dos caprichos?

E se, abatido pela própria empáfia, ao perscrutar em derredor de si mesmo, verificasse que jamais houve - nem, tampouco, um dia haverá - qualquer mortal que não quedasse irrequieto em companhia de sua indesejável presença, sequer pelo tempo necessário para esboçar alguma intenção, mesmo que contida, de explorar seu monolítico vácuo interior?

E se, ao constatar que todos aqueles que, um dia, ousaram empenhar uma pontinha de confiança na reminiscência de humanidade que seu coração já conteve, apesar de envolto em todo esse sangue denso e negro - só não tanto quanto sua visão perniciosa do mundo e do homem - além de jurar, sobre todas as coisas mais elevadas, que nunca lhe mostrariam as costas, sobretudo, em momentos como o atual, justamente agora que seu império emocional agoniza em face do inevitável colapso, lhe negam até o menor dos auxílios, mesmo aquele vivificado pelo imperativo moral?

E se a maior assunção de derrota for precisamente o fato de que não importa o que se diga, menos ainda o que se pense, ou mesmo qualquer atitude que se ensaie, nada, absolutamente nada fará com que a natureza retifique o gravíssimo equívoco que, por um indecifrável lapso dos deuses, foi cometido quando de sua infeliz criação?

 



Escrito por v.mikulin às 21h29
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